terça-feira, 27 de janeiro de 2015

A viagem



Hoje eu passei o dia inteiro olhando para a tela branca do meu computador, tentando buscar inspiração para escrever algo sincero. Mas era muito difícil escrever sobre você, pois era um eterno misto de sensações e sentimentos que eu não conseguia organizar dentro de mim. 

Depois de tantas horas eu enfim desisti, por que você merecia muito mais que palavras confusas jogadas ao vento, você merecia muito mais que possibilidades que poderiam se quer se tornarem reais, você merecia muito mais do que eu podia lhe dar. 


Então eu busquei pensar em como algo mais simples poderia descrever o meu drama interno, mas era também muito difícil. Você estava tão longe, eu não tinha seu perfume, eu não tinha o brilho dos seus olhos, eu sequer tinha a chance de te encontrar por acaso fazendo compras no shopping. 


Então eu fiquei desesperado, por que era preciso dizer, dentro de mim explodiam bombas nucleares de reações que provocavam o total caos. 


Eu então coloquei tudo de lado, o passado, o futuro, as pessoas, as convenções sociais e até mesmo a nossa falta de intimidade. E cheguei em você e disse sem pensar muito "você é perfeita demais para existir, você é uma diva, você me faz travar pessoalmente, e eu quero morrer com isso."


Ela riu discretamente e eu perguntei "Eu queria saber se é tão difícil assim acreditar que mesmo sem te conhecer tão bem você é uma das mulheres mais fantásticas que eu já conheci?" 


Sinto que ela percebeu a sinceridade e me deu um voto de confiança, e eu senti enfim que não era totalmente maluco. Ela insistia na modéstia, mas eu insistia o dobro "você não é magra coisa nenhuma, e mesmo que for está perfeito assim, e se ousarem a dizer que não, é puro recalque, você tá presa no padrão de beleza errado" 


Ela disse enfim que se sentia muito a vontade conversando comigo, e logo ela completou que iria embora, para bem longe daqui, quilômetros e quilômetros de distância. E eu praticamente nem a via pessoalmente, mas já sentia saudades. 


Ela tinha menos de uma semana, e para mim era quase uma derrota. A gente perde muito tempo e muitas maravilhas da vida por medo, é um fato incontestável. 


Mas de repente eu acordei para a vida e antes tarde do que nunca perguntei a ela "Vamos tomar um café antes de você viajar?" E ela sem a menor hesitação respondeu "Por favor, eu adoraria!".


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sábado, 24 de janeiro de 2015

Seus olhos





            Você parou por um instante e eu pude encarar aqueles seus olhos castanhos de paixão. Eu sorri contente por que sabia que tinha você ali comigo e nada parecia importar se você estivesse de fato ali, sorrindo para mim como a solução de todos os anseios do meu mundo. Era inexplicável a maneira como eu e você nos completávamos, aliás, a gente se transbordava. Um sorriso meu despertava o teu riso, e um abraço teu era transformado em um beijo meu. Meus braços pareciam ter sido feitos perfeitamente para abrigar o seu corpo abraçado ao meu. Seus ouvidos então foram cuidadosamente criados para conseguir ouvir as batidas do meu coração acelerado de amores por você. E a gente tinha aquele brilho nosso que fazia todo mundo dizer “nossa, foram feitos um para o outro” e era quase um conto de fadas nossas noites de sábado, quando você aparecia deslumbrante em um vestido vermelho e eu podia segurar a sua mão e te levar jantar com aquele efêmero céu estrelado. Eu podia sentir todo o universo ali, expandindo e rodando, brilhando e chovendo estrelas no infinito fundo dos nossos olhos em sintonia.

            Me pego pensando por que o amor tem dessas coisas, dessas pequenas coisas corriqueiras e cotidianas que fazem com que ele se torne algo tão banal. São os ciúmes, as pessoas, uma pitadinha de indiferença, três colheres de inveja e um copo de egoísmo, e só com alguns instantes no forno, o tempo passa, e a gente é presenteado com o bolo do amor da rotina mal vivida.

            Eu sei que eu mudei. Você foi parte integral da pessoa que hoje eu sou. Você me ensinou a levantar a cabeça aos meus maiores medos, você me ensinou a lidar com os fantasmas do passado, você me obrigou a crescer e ser independente, a ser um ser humano melhor e acreditar no amor. Por favor, não me deixe desacreditá-lo outra vez. Os ponteiros podem parecer já distantes, mas a vida não trouxe você para mim pelo acaso. Não vamos permitir que pequenas doses de excesso do nosso ego estraguem nossa conexão e companheirismo, pois esse elo foi selado pelo nosso amor, e muito tempo foi gasto para tornar duas pessoas desconhecidas em eternos amantes apaixonados.

            Eu sei que você mudou. Não tem sido mais a mesma coisa, mas eu trouxe para a sua vida um significado, eu acreditei em você quando ninguém mais achava que você podia voar com suas próprias asas, e agora que você está tão alto e longe eu lhe pergunto por que não me levar com você? Vamos buscar de novo a nossa sintonia, criar novos sonhos entrelaçados que só façam sentido para nós dois, por que no fundo o amor está ai, entre você e eu. Ele pode ter saltado para fora dos nossos corações por um instante, ele precisava de um tempo para respirar, mas agora que tudo tem sua paz, não vamos perdê-lo de vista, por que você sabe bem que existe um vazio enorme nos nossos peitos, apenas esperando que a gente tire disso tudo uma lição e volte a sorrir a sorte de termos encontrado um ao outro.

            Eu por um instante encaro seus olhos castanhos de dúvida, e sei que eles querem ser paixão. Eu sorrio sabendo que tenho você aqui comigo, e enquanto isso for uma verdade, nada poderá vencer a felicidade do meu mundo. 

***Curte ai pra dar um up moçada, valeu!

Quer pedir um texto também? jogue a ideia no mural do meu fb pra gente discutir a respeito! ;) Obrigado !!
-Kauê de Paula

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Um problema gramatical



"O problema é que ela era muito mais substantivo.

Mulher, princesa, solteira


Ele era um mar e tanto de verbos.


Observar, agir, pensar.


E quando sua classe gramatical a tirava para dançar, 


uma doce concordância nominal tomava os olhos de quem 


ali assistia.

Mas logo chegaram as interjeições,


e suas orações perderam as conjunções.


De repente tudo era uma simples oração coordenada 


assindética.

E os amigos diziam que faltavam mais adjetivos 


que pudessem superar tantas dificuldades


E ao final ela reverberava o amar.


Enquanto ele era substantivamente saudades."



**Curte ai :)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

A essencial dualidade



Era impressionante o poder que você tinha de me tirar do sério. Mesmo que eu tentasse não conseguiria lhe fazer qualquer tipo de surpresa ou mistério. Você vivia seu próprio mundo sem nenhum medo ou critério. E na sua vida eu era algum tipo descartável de ministério.

Cheguei sorrindo em casa com os ingressos do acústico Nando Reis. Mas você logo disse que só teria molecada de dezesseis. E não importava se os argumentos que eu tinha eram aceitáveis. Você detinha sempre das ultimas palavras incontestáveis.

Te comprei de pascoa aquele imenso ovo de chocolate gostoso. Mas você ao invés de agradecer me disse que preferia um CD do Caetano Veloso. Eu tentei incontáveis vezes ao seu lado não passar nervoso. Mas eu era um peão totalmente cercado nesse seu jogo. Pois perder você era pra mim algo muito perigoso.

O nosso amor era improvável de se acontecer. Eu sabia que cedo ou tarde ele iria perecer. Quando eu já tivesse citado todos os versos de Sheakspeare, ou simplesmente quando você viesse a se aborrecer. Eu queria um lugar na sua vida que jamais iria ter. E em um adormecer qualquer acordaria sem você ao amanhecer.

Você tinha um Iphone e eu uma vitrola. Eu adorava Pepsi e você Coca-Cola. Eu curtia vídeo game e você jogava bola. Você era mais do tipo balada e eu escola.

Eu assistia as animações da Disney e chorava feito criança. Enquanto você acabou levando os móveis na nossa mudança. Valsa estava mais para o meu tipo de dança. Mas você gostava mesmo de uma festança. Eu montava planilhas de gastos e guardava todo mês uma quantia na poupança. Você era mais de checar todas as portas e janelas à noite por segurança.

Você não se cansava de citar Freud e eu ficava dias ouvindo Pink Floyd. Eu Idolatrava e falava de Newton e Einstein. E você dizia blá blá blá pintando as unhas e bebendo sua Heineken.

E eu passava horas te ensinando como calcular uma matriz. Pra você dizer que no fundo mesmo queria ser atriz. E que não precisaria entender de fórmulas de bhaskara e bissetriz. Eu sabia que no fundo você só queira ser feliz. Mas me entristecia você odiar tanto Machado de Assis.

E óbvio que seu sorriso e sua pose de mulher me deixavam impressionado. Muitas vezes só de estar andando na rua ao seu lado fazia sentir-me lisonjeado. Mas sua indiferença me deixava transtornado, até mesmo indignado. E só de birra você dizia que gostava muito mais de Jorge Amado.

Escrevia as cartas mais românticas e piegas possíveis para você. Mas você lia e dizia ‘Que texto mais bonito, só pode ser do Iandê’. Mesmo que ao final estivesse assinado Kauê. Você fazia de tudo pra me provocar e eu me perguntava o porquê. Eu te odiava e te amava, pois você era o essencial que a minha vida precisava ter.

E eu estava quase totalmente livre e independente quando o telefone tocou. Eu vi que era seu número e meu coração logo disparou. Desde que você partiu apenas uma saudade imensa você deixou. E quando ouvi do outro lado você dizer que o nós não acabou. Eu soube, enfim, que no fundo você sempre me amou.


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terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Segunda-Feira





            Era segunda feira e me invadia aquele sentimento de começo de semana, a preguiça, o desejo de por tudo em ordem, de começar uma dieta, de correr, de iniciar todos os planos e sonhos que eu anotava na minha cabeça e sempre deixava pra depois. Eu de repente acreditei que seria diferente, que eu poderia me apegar a qualquer projeto que ocupasse a minha mente caótica desesperada, mas assim que eu sentei em frente ao computador pra trabalhar eu encontrei um fio de cabelo seu sobre a mesa, e então um vazio se abriu por todo o meu quarto e sua falta quase transformou toda aquela imensidão de espaço se ampliando em um novo big bang. O vazio desapareceu posteriormente do meu quarto, mas voltou tantas vezes a se manifestar dentro do meu coração.

            Eu tentei te esquecer, mas eu senti fome, e a janta nunca me pareceu tão complicada. Eu tentei seguir sua receita como se fosse minha, como se aquilo tudo fosse natural, negando que as lembranças me abraçavam apertado e provavam a falta que você me fazia. Meu macarrão ficou horrível, salgado, com gosto de saudades. Não sei bem pra onde foi minha coragem de segunda, mas ela implodiu em solidão e prepotência, e agora eu vejo a chuva caindo e me pergunto onde eu errei quando decidi ser essa bagunça de sentimentos que eu sou.

            A gente tantas vezes na vida é desprezado que qualquer reflexão amorosa pós-traumática encaixa como uma luva na vida de qualquer pessoa. Não seria diferente aqui, não será diferente ai. Me pergunto ainda por que a gente não aprende nunca a dar valor a quem realmente quer estar ao nosso lado, parece que o capitalismo domou o amor e o vende como mercadoria nas lojas, mudando os padrões, alterando as garantias, reformulando os nossos gostos e ditando nosso desejo pelo inalcançável. Quem não está vivendo ao menos uma mentira na vida já viveu uma em algum momento, e sabe que desapego é uma lição fácil de se dar, mas difícil de se praticar.

            Quando eu abri a porta eu esperava que você fosse embora, e que amanhã tudo estivesse bem. Mas eu me recuso a acreditar que não seja possível amar alguém que nos faz sentir saudades, por que ambas as coisas estão tão intrinsecamente relacionadas que chega a ser assustador pensar em deixar o amor partir. Eu só queria poder entender o processo que nos faz definir prioridades, para poder alterar esse algoritmo maluco, que me faz todas às vezes jogar meus sonhos fora por inverter erroneamente a cronologia dos passos que me guiam a ter enfim, e quem sabe um dia, uma segunda feira feliz.

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Meu eterno ex-namorado





            Ele estava lá, parada no canto esquerdo do corredor longínquo e infinito. Eu sabia que não seria fácil fugir daquela sensação que me invadia de uma maneira tão inédita e intensa. Eu tentei passar discretamente por ele sem que me notasse, ele conversava com dois amigos e seus risos e trejeitos me davam calafrios, eu como a delicadeza em pessoa tropecei no vazio e cai no chão com todos os meus livros e papeis da escola. Eu não levantei o rosto para ver, mas eu sabia que todos ali naquele corredor me olhavam e riam. Eu não me importava com os outros, mas me envergonhava a possibilidade dele ter me visto cair, e tentando discretamente fugir do olhar dele eu imprescindivelmente acabei encontrando aqueles lindos olhos verdes pela primeira vez. “Posso ajudar moça bonita?” com um sorriso tão fantástico que eu travei, ‘claro que pode. Aproveita e casa comigo, seu maravilhoso!’ e ele rompendo o silêncio novamente repetiu se podia ajudar. E eu saindo do transe consegui enfim responde-lo “pode sim, muito obrigado!”.

            Cheguei em casa eufórica e fui direto contar pras minhas amigas a cena da escola. Elas riram e disseram nessas exatas palavras “Aproveita, amiga, mas não se apega não, esse ai não vale nada!”. E antes eu tivesse maturidade o suficiente pra entender como de fundamental certeza elas detinham naquele momento. Ele apareceu de novo, é claro. Conversamos por longos minutos que se tornaram em pouco tempo dias. Ele tinha aquele jeito encantador, levava jeito com as palavras, parecia que sabia sempre o que falar e no momento certo, e quando não falava seu perfume invadia minha existência como algo muito transcendente a qualquer sensação que eu já havia tido até então. Apaixonei-me perdidamente por ele. Passei dias sonhando com ele e aquela barba cheia perto de mim, me beijando e me levando para conhecer o mundo. Eu era ingênua, mas algo me dizia que aquilo não estava certo, mas de qualquer forma eu gostava de acreditar, o amor era mágico e fantástico aos olhos da jovem menina que eu era antes de aprender a viver.

            Lembro quando ele me chamou pra sair pela primeira vez, meu coração saltou pra fora do meu peito e eu quase entrei em pânico “calma, calma, CALMA mulher!” e depois de alguns minutos eu respondi a mensagem dele com toda a delicadeza dizendo que adoraria sair com ele sim. Eu tomei um banho dos deuses, lavei os cabelos que estavam sujos e amaldiçoei minha genética por eles não ficarem como eu queria nunca quando secos. Foram horas na frente do espelho e do meu guarda roupas. E quando todas as roupas já estavam em cima da cama consegui escolher uma que parecia ser a menos pior, nada parecia bom o suficiente. Até que ele chegou.

            Me esqueci de fazer as unhas e me sentia extremamente derrotada por isso, sai escondendo as mãos torcendo pra ele não reparar, como se aquilo fosse arruinar o encontro. Ele me viu, me cumprimentou com um beijo no rosto, sua barba roçou minha bochecha e eu arrepiei. Ele disse “Nossa, como você está linda!”. E eu já era totalmente dele em menos de cinco minutos de encontro, mas lutaria bravamente pra que ele jamais desconfiasse.

            Jantamos num restaurante bacana, ele foi cavalheiro, gentil, simpático, me contou da sua vida, dos seus planos, se mostrou interessado por todos os pontos da minha vida e ao final pagou a conta e me levou de volta pra casa. Já no portão de casa eu suava frio e me perguntava se havia feito tudo certo ou em algum ponto podia ter o assustado, fiquei ali analisando o encontro buscando falhas, até que ele rompeu o silêncio que já ficava constrangedor. “Foi maravilhoso passar um tempo com você e poder te conhecer melhor, posso te dar um beijo de boa noite?” E mais uma vez meu ótimo jeito de lidar com situações entrou em ação, eu não consegui responder, eu queria dizer “Me beija, por favor!”, mas que maluca desesperada ele acharia que eu sou. Eu pensei em beija-lo, mas olhava para ele e algo me segurava ali, uma força invisível que me impedia de fazer qualquer coisa, era mais uma vez eu sendo tão eu. Ele interpretou meu sorriso corretamente e me beijou. Foi belo e doce como todo beijo do primeiro amor que a gente tem na nossa vida. Ele se foi e eu entrei em casa em êxtase “Ele me beijou!!!” contei pras amigas e elas riam e alertavam como sempre “ah safadona! Tá dando uns amassos no mais gato da escola, mas vai com calma esse coração ai ein.”.

            E dias passaram, e eu tive que aprender a lidar com ele sendo o tal cara popular que conhecia todo mundo. Eu sentia que a qualquer momento ia grudar no pescoço de qualquer uma daquelas piranhas da escola e arrancaria cada fico de cabelo oxigenado da cabeça delas. Mas me mantive, eu se quer tinha esse direito. Ele me tratava como qualquer outra pessoa na escola, e eu começava a me questionar o grau da exclusividade que eu tinha realmente na sua vida. A cada riso com outra pessoa eu criava mil teorias de como ele possivelmente estaria me traindo e me fazendo de otária. Minhas amigas reforçavam isso sempre e eu ficava paranoica. Mas toda vez que eu o via sábado à noite e ele dizia “Adoro seu sorriso, bonita!”, eu esquecia tudo e me entregava inteira pra ele.

            O tempo passou, e passou muito, e eu continuei exatamente ali, naquela posição impossível de ser feliz por completo, e depois de tanto ser feita de tonta descobri enfim que ele tinha duas ou mais amantes por ai. Minha primeira reação foi querer matá-las, mas com mais calma eu sabia que elas podiam ser tão ingênuas como eu, então minha segunda reação foi chorar, e muito, na vã tentativa de por toda aquela dor pra fora e me sentir livre daquele peso, mas não tinha como, eu estava fadada a sofrer por amar alguém que não me queria como exclusividade em sua vida. A próxima reação foi a raiva, pude olhar na cara dele e falar tudo o que queria, por pra fora toda a dor e certeza de que ele era um cafajeste e que havia me usado. “Sem caráter! Sem personalidade! Seu babaca!” e depois de ouvir tudo em silêncio ele apenas disse “Ok! Não precisa me perdoar, mas a intenção não era magoar, desculpa” e foi embora. ‘Não era magoar?’ pensei comigo ‘Ah seu filho de uma puta!’ e aquilo me irritou profundamente que eu desejei que o carro dele explodisse antes de dobrar a esquina, e logo depois chorei mais alguns litros de arrependimento e percebi que no fundo eu esperava que ele dissesse que eu era especial, que ele havia errado, mas que queria ficar comigo. Eu estava disposta a perdoar o maior dos pecados por um amor que me cegava. Eu era uma idiota.

            Três dias se passaram no mundo real e eu parecia ter envelhecido três anos, era infinita a dor, a espera, a incerteza do futuro. Então ele ligou, e meu coração voltou a saltar pela boca. Eu tinha raiva, mas também tinha saudades, e como tinha. Sentia-me péssima por sentir saudades do abraço dele, dos beijos tão gostosos, do cheiro, do sorriso, da barba, os olhos verdes misteriosos... “Posso ir até ai?” e eu disse que sim, por que eu era burra, e eu queria vê-lo, queria poder tocá-lo mais uma vez, e quando ele chegou eu me perdi de novo num sentimento que não sabia descrever, e conforme ele ia se desculpando e dizendo que eu era especial e importante eu ia me entregando de novo a ele, cometendo aquele erro mais uma vez. Cometendo aquele erro delicioso mais uma vez.

            Ele me beijou delicadamente e mordiscou meus lábios, eu apertei seu corpo contra o meu e a gente se deitou no sofá. Ele pôs a mão no meu rosto e disse que eu estava deslumbrante. Eu sorri de volta e sem falar nada o empurrei para o chão e subi em cima dele. Ele tirou minha camisa e eu a dele e o sexo ali no chão nunca havia sido tão bom. “Como pode?” eu pensava comigo, mas sabia que eu estava pisando em cacos de vidro, minhas amigas disseram pra eu me livrar disso antes que eu ficasse pior do que já estava, mas eu não queria. Eu pensei comigo e estava disposta a dar o troco, a usá-lo quando quisesse e torná-lo totalmente descartável. Mas o tempo ia passando e eu não conseguia dizer não a ele, não conseguia me interessar por outras pessoas, e a gente rolava naqueles velhos lençóis de novo, e de novo, e de novo. E eu me vi novamente aprisionada a inevitável tragédia romântica que era a minha vida.

            Ele se retratou misteriosamente, me pediu em namoro, me trouxe flores e foi um amor de pessoa por algumas semanas. Eu a esse ponto já havia acreditado e estava confiante, achando que dessa vez sim, dessa vez seria diferente, daria certo, nosso amor iria perdurar. Mas algo que eu aprendi com a vida é que tudo que começa errado tende a terminar pior ainda. E depois de meses de namoro eu o peguei me traindo com uma das garotas que se intitulava minha amiga. O baque foi dos maiores possíveis, mas eu aprendi, juro. Terminei o namoro e a amizade ali para sempre, sentia que minha vida estava destinada a ser um pesadelo para sempre, cheguei a duvidar que existisse amor de verdade, afinal todos os homens eram iguais, babacas, cafajestes que só pensavam em sexo. Aprendi a ser mulher e viver a minha vida para mim e exclusivamente para mim.

            Aprendi a tocar piano, consegui fazer as aulas de pole dance que tanto sonhava e me dediquei fielmente aos estudos. Passei na faculdade que queria, mudei de cidade, aprendi a me virar sozinha, conheci pessoas novas, amadureci minhas experiências e cresci como indivíduo. Entrei na academia, fiz dezenas de amizades, conheci caras tão mais fantásticos, que dariam tudo por mim, dispensei todos. Era um novo eu ali, e eu havia superado tão bem tudo aquilo que por anos fiquei sem nem ter notícias do meu ex-namorado. Depois de algum tempo soube que ele havia largado os estudos, que havia tido problemas com o álcool, estava deveras gordo e com semblante sem vida. Ele não era mais o mesmo de anos atrás. Tinha um emprego numa oficina e havia engravidado uma menina da cidade. Eu podia pensar “Bem feito!”, mas eu já era muito melhor que isso e podia apenas sentir pena de ver alguém se perder dessa maneira.

            Por acaso encontrei ele um dia desses e ele me reconheceu. Ele se encheu de alegria e me abraçou, disse que estava orgulhoso de ver como eu havia crescido e ficado inteligente. Eu não podia dizer o mesmo, mas menti dizendo que era bom vê-lo também. Ele me contou sobre sua vida e depois num momento de desabafo me pediu desculpas, disse que era um desmiolado e sabia que havia me feito muito mal. A essa altura eu interpretava o mal como uma baita experiência de vida. E ele continuou ali por alguns minutos sendo sincero como nunca havia sido. Sim, eu podia saber dessa vez, pois eu não estava apaixonada por ele. E eu dei a paz dele com um abraço dizendo que tudo bem, havia durado e sido simplesmente o que era pra ser.

            Fui pra casa depois e parei no portão lembrando aquele primeiro beijo há tantos anos. E sorri, por que não importava o quão ruim a história havia sido, foi tão mágico. E eu me peguei imaginando como seria ficar com ele de novo, depois de tantos anos, seria a mesma coisa? Livrei-me do pensamento rápido, com medo que pudesse me corroer. Aprendi que amigos são pra sempre nessa vida, estarão sempre lá quando a gente precisar. Já os ex-namorados, bom, podem estar também, mas nem sempre são bem vindos, ainda mais quando a gente insiste em errar infinitas vezes por simplesmente se perder num brilho mágico que existe no fundo dos olhos de algumas pessoas que passam pela nossa vida. Peguei o celular e liguei pra ele.

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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Este sou eu.





Este sou eu. Eu começo o ano tomando vinho. Eu ouço musica ruim para livrar-me de pensamentos ruins. Eu olho suas fotos e sinto tristeza, e tomo mais vinho. Eu nunca te falo o que sinto realmente. Sou um cretino, pelo fato anteriormente citado. Em minha defesa bebo mais um copo de vinho para tentar refutar o que eu acabei de escrever, mas não me convenço. E por isso eu nunca digo.

Eu não tenho nenhum vazio a ser preenchido, honestamente falando, todos meus vazios são preenchidos com tristeza e alegrias cotidianas. Então esse sou eu, alguém que precisa esvaziar e não encher, particularmente eu gosto, e tomo mais uma taça de vinho. Então esse sou mais ou menos eu hoje, sabendo que não sou eu, sabendo que algumas vezes eu sou o meio, algumas vezes eu sou o começo, mas honestamente sinto falta de ser o fim. E por isso tomo mais uma taça de vinho. Esse sou eu não inspirado, tentando escrever por ser meu hobbie preferido. Mas a verdade é que eu sei que não sou eu, nem seu.

Esse sou eu, meia hora depois, com medo de dormir, por que vou ficar só com meus pensamentos, eles tem me destruído atualmente, é pior que dor, é angústia, é ansiedade, é uma ameaça frequente do que está para acontecer sem eu ter a menor ideia de que vai acontecer, então eu tomo mais uma taça de vinho. Algum dia eu estarei andando e eu sei que essa angustia de correr vai passar, mas não é agora, por isso mais uma taça de vinho.

Esse sou eu relativamente embriagado com as taças de vinho, das quais eu já perdi a conta e não escrevi. Esse sou eu sem medo de morrer, mas que ama viver. Esse sou eu sem medo de estar só, mas preferindo dividir bons momentos com você. Esse sou eu tentando não encher meus olhos de lágrimas lembrando a última vez que te disse que gostava da sua companhia. Esse sou eu respirando fundo e pensando em alguma forma menos destrutiva de passar por isso e entender que não sou eu, que não seria eu de forma alguma, a forma como apareci e a forma como fui embora. Esse sou eu achando que sou jovem, e que o mundo é meu. E esse sou eu descobrindo que não.


Esse sou eu, que lembrou um pouco do seu sorriso, olhou sua face, você tinha olhos castanhos, depois azuis, depois verdes, e novamente castanhos. Esse sou eu descobrindo que estou bêbado o suficiente para não me importar mais com isso, pelo menos pela noite. Sou eu com insônia, pensando na vida, e eu indo tentar dormir, sou eu não conseguindo dormir e mantendo a mesma cara e voz de nada quando você tenta falar comigo. E por fim, esse sou eu levantando no outro dia e fingindo que nada aconteceu, esperando te encontrar por acaso, sentir o coração batendo forte , ter uma conversa qualquer e dissimular minha face diante de você.

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