quinta-feira, 17 de maio de 2018

Sobre pessoas e velas

Era manhã de inverno, ou outono, não sei se me lembro muito bem... Na verdade enquanto ela me contava sua história tive pequenos devaneios antes de ter minha atenção completamente prendida. Não sei se era o sorriso ou o cabelo, mas algo ali tirava um pouco da minha atenção no que ela falava. Me sentia completamente estúpido por isso, porém não é o foco aqui descrever como eu me sentia ou qualquer coisa do gênero. Meus caros, aqui nós temos uma outra história. Ela é contada pela moça e podemos dizer que ela possui metáforas curiosas sobre relações e pessoas.
Tinha terminado um relacionamento, já fazia algum tempo. Inclusive, ficou sabendo de uma forma inesperado que o ex-namorado estava em um novo relacionamento e parecia feliz. Seus amigos, por vezes, não mediam as palavras ao falar sobre isso com ela, porém aparentemente não estava triste, nem feliz, aquilo fazia tanto tempo que não possuía mais sentido algum, nem sequer sentia falta. Ao descrever essa situação fez parecer que não se importava muito nem quando estavam juntos, quando o fim era iminente não havia o que ser feito e esse sempre foi seu caso. Aquilo havia passado e os dias caminhavam normalmente entre trabalhos, estudos, pequenos hobbies e meia dúzia de encontros.
Se queixava com alguma frequência das repetições desnecessárias entre as pessoas que saia, certa vez se envolveu com um rapaz, Arthur, parecia um rapaz muito bonito e, em um primeiro momento, agradável, mas algo a incomodava nele, a falta de sentido no que ele falava ou fazia. Sua falta de perspectiva ou alienação, não conseguia sequer descrever, mas logo parou de sair com o homem. As relações se esvaziavam rápido, eram quase-amantes sempre, eles vinham e iam na mesma velocidade que sua respiração. Acordava nas camas deles, sentia seu corpo, passava a mão e todas suas curvas e defeitos, olhava para as marcas deixadas no corpo dos mesmo e tinha a certeza que não era aquilo que procurava. Nunca era.
Voltava para casa, tirava de seus bolsos todas as possíveis lembranças das relações efêmeras que havia consumido. Homens, mulheres, passavam por sua vida com conversas e ideias que não se encaixavam de forma alguma. Se rendia apenas ao desejo sexual, mas no fundo, sentia responsabilidade pelas vidas que cruzava, pois deixava sempre uma marca. Após algumas mensagens e ligações, todos os amores desistiam. No ambiente errado nada nasce, nada cresce e ela sempre acreditou ser o ambiente errado, ser feita de fogo. Três ou quatro dias depois se esquecia do nome dos quase-amantes, se esquecia de seus rostos, silhuetas, sexo, tudo. Tudo era efêmero e passava, como uma brisa que marca o início de uma primavera. Entrava em seus pulmões e saía. “O que poderia nascer no fogo?”
Onde ela queria chegar com essas conversas? Eu me peguei pensando nisso por mais um segundo, porém logo o discurso se reiniciou.
“O que poderia nascer no fogo?”, era tão destrutivo, porém tão lindo. Me questionou nesse momento se eu já tinha visto uma chama de perto (sim, já havia visto). Ela se sentia assim, como se incinerasse onde estava, era uma sensação confortante ao mesmo tempo sombria. Era estar sozinha, porém com a certeza de que não estava. Cada passo para frente era um passo distante de todos os outros.
Um ano se passou e ela chegou a conclusão de que as pessoas eram como velas (esse foi o momento onde minha atenção se prendeu completamente). O fogo, pode passar de vela em vela. As velas se desgastam na presença do fogo, elas derretem. Uma vela próxima ao fogo está fadada ao fim sempre. Pode durar uma noite ou quarenta dias, ao final a vela sempre derrete. Foi então que começou, como passatempo, classificar quem convivia como vela ou fogo. (Era curioso uma pessoa de tanta profundidade e complexidade dividir de forma tão categórica os seres humanos, porém aquilo fazia sentido, sua história dizia aquilo, suas relações diziam aquilo, não é possível saber ao certo se utilizava isso para se esquivar, para tentar se convencer que talvez fosse realmente difícil se relacionar). As pessoas fogo, são diferentes. Me perguntou o que eu esperava de alguém feito de fogo e eu não soube responder (acho que não quis). Era curioso, ela me contava isso segurando minha mão.
Um chama junto de outra cria uma nova chama, se complementa, cresce, ganha força e não se esvazia. O fogo não esvazia o fogo. E nesse momento, me olhou no fundo dos olhos e então eu entendi a metáfora do fogo e da vela. O desgaste, a tentativa, a intensidade, a insuportabilidade, a força, a procura, a aceitação de si.
Houve um silêncio estranho, ela levantou-se e me puxou pelo braço até uma escadaria. Sentamos na escada observando o movimento da cidade noturna. Não havia estrela alguma no céu, o chão estava um pouco gelado. Um cheiro forte de cigarro vinha quando respirava. Sentou-se ao meu lado e encostou a cabeça em meu ombro.
Já fazia algum tempo que saíamos, não me lembro de ter contado, mas era algo em torno de cinco ou seis meses. Levantou a cabeça e olhou no fundo dos meus olhos, perguntando se eu era apenas mais uma vela ou se eu era chama. Sorri desconcertado. Não respondi, porém com toda certeza sentir o local entrar em chamas.

sábado, 18 de novembro de 2017

Juntos éramos mais fortes que todo o mal que o mundo pudesse oferecer






 Nando Reis - Pra Você Guardei o Amor


Te tirei para dançar com os olhos naquela noite fria de setembro. Você me deu um sorriso e eu sabia que era você, nunca tive tanta certeza na vida. Cheguei tímido e sem dizer nada, apenas sorri e segurei suas mãos. Você entendeu o gesto e acompanhou meus passos até a noite se perder pelos ponteiros. Me apaixonei por cada palavra que veio em seguida, era impressionante o quão interessante você era, quão cativante, linda, encantadora, forte, mulher.

A sorte nos escolheu, o destino era tão claro que reluzia. Te ensinei tudo que sabia, te tirei cada sorriso do rosto com prazer total. No final do dia ainda era você e eu, na mesma cama, na mesma sintonia. Eu nunca achei que fosse capaz de me dividir dessa forma, era assustador, era íntimo. Comprei nossa janta de sábado à noite e preparei a mesa. Você me encostou na parede e me fitou em silêncio por alguns segundos, seus olhos eram lindos e tão cheios de significados que eu continuei ali perdido em silêncio também. Você sorriu e me beijou! Tantos anos depois e ainda me recordo de coisas assim como se fosse de ontem.

Essa coisa do amor é engraçada. Ele não acaba! Ele não tem prazo de validade, ele até se renova, muda, mas jamais acaba. Eu te tinha a cada dia mais como parte do meu futuro. Escrevi sobre aquela nossa viagem, escrevi sobre nossa casa, escrevi sobre nosso casamento, escrevi até sobre os filhos que eu nunca quis ter. E em seguida tirei tudo do papel, por que com você de repente tudo fazia sentido, a vida era maravilhosa demais em ser vivida com você ali. Juntos éramos mais fortes que todo o mal que o mundo pudesse oferecer. Eu sabia então que já tinha tudo que precisava para ser feliz para sempre. O dinheiro não compra essas pequenas grandiosidades do dia a dia.

Até nas piores fases estávamos lado a lado. Eu estendia minha mão e as vezes era o suficiente. Os abraços eram mais longos, as palavras mais curtas, os olhares mais sérios, os sorrisos menos brancos. No final seu cheiro continuava na minha roupa, eu te abraçava forte debaixo do cobertor e a gente recuperava as energias de mais um dia, uma luta, uma conquista. Era construir nosso mundo pouco a pouco, tirando da vida o melhor de cada situação, crescendo juntos, amadurecendo sempre. Alimentando nossa alma com o amor que florescia de cada história escrita por nós.

São tantas linhas lindas para serem escritas que eu me reservo no direito de só fechar os olhos e sentir. Lembrar da gente dançando pela casa vazia, cantando, fazendo nossos jogos e se beijando a cada minuto, como se o mundo fosse acabar e isso não importasse. Eu quero te ver radiante sempre, como em cada manhã de sábado, quando te acordo com o café pronto. Se o mundo for um lugar melhor para se viver hoje, é por que você está nele, e eu te encontrei!

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Reflexos da alma





Passamos a não viver plenamente a vida quando deixamos de acreditar nas pessoas! Então você irá me dizer que o ser humano é egoísta, que é excessivamente vaidoso e que muitas vezes age por impulsos e emoções que não seguem a linha razão. Ou seja, cedo ou tarde acabará machucando alguém! E eu não vou deixar de concordar, até por que a gente vive a vida sempre em altos e baixos, e às vezes nos questionamos por que os baixos parecem tão mais intensos e duradouros. Não é verdade? Mas em quem a gente vai confiar quando a vida nos der as costas? A gente vive nessas apostas cegas de quem valerá a pena entregar parte de quem somos. É uma loteria maluca onde as probabilidades geralmente não são favoráveis. Mas o prêmio vale a pena!

Te daria uma parte de quem eu sou para você levar contigo para onde fosse! Mesmo que jamais volte. Eu acho lindos esses pequenos fragmentos do passado que nos lembram quem um dia esteve aqui e o que aquilo significou, mesmo que hoje aquela pessoa não exista mais, sabe? Leve um souvenir do amor que eu te dei e guarde no fundo do seu guarda-roupas, quando a vida for triste, cinza e nublada, desembrulhe aquela velha lembrança empoeirada e lembre que o amor já residiu ali. Talvez seja só um fóssil, não voltará a vida, não voltará no tempo, mas é revigorante! Revigorante acreditar que mesmo em face das maiores quedas no nosso caminho, fomos capazes de cativar e cultivar o amor dentro de corações alheios tão inusitados e diferentes dos nossos. Você se recorda?

Reinvente-se! Não há mensura para a felicidade. Seja lá o que tenha passado, te digo, é passível de se ser superado! Vivido com maior intensidade! As pessoas mudam, os sonhos também! Não busque sua essência no seu eu passado, a vida é para frente!

Quando você para na frente do espelho quem exatamente está do outro lado? Será que essa nova versão de você reconhece seu antigo eu? Será que aprendeu o que deveria ter aprendido, ou será que deixou a dor, a raiva e o medo tomarem conta do seu peito? Se o mundo é um grande mar de pessoas filhas da puta, talvez você seja uma delas também, olhando para o espelho e não enxergando nada, nada além do amargo gosto das frustrações que não foram superadas! Duro, né? A vida costuma ser.

Não deve existir um tempo certo para perdoar. Seja uma pessoa, seja as situações da vida ou você próprio. Em algum lugar o equilíbrio revigora esperando ser encontrado, para trazer as respostas das dúvidas não solucionadas e do futuro tão incerto. Como uma fênix, vamos renascer das cinzas, apagar o incêndio sob a chuva rala e entregar o amor para quem saiba multiplicá-lo! Sei que na teoria é fácil, mas não se desespere, estamos todos aqui meio perdidos mesmo, mas quando nos encontrarmos tudo vai ficar bem, eu prometo!

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

O despencar de um sonho






Emprego virou uma raridade sem tamanho no mercado brasileiro. Há tempos se ouvia que profissionais da engenharia tinham a total autonomia de escolher onde iriam trabalhar, as empresas brigavam por um profissional qualificado, o mercado estava aquecido e com déficit de profissionais na área. Hoje não há vagas! Até mesmo uma entrevista tem sido extremamente difícil de se conseguir. O desemprego assola nosso país, e mais pessoas são demitidas que contratadas, os meses passam e já com mais de um ano a situação ainda não melhorou!

Eu cresci com esse discurso na minha cabeça, de que estudando a vida seria mais grata com a gente. Passei todos meus 25 anos de vida estudando. Com 14 anos sai da escola pública para o colégio da EMBRAER, um dos melhores do estado de SP, minha primeira aprovação num Vestibulinho extremamente concorrido. E assim seguiu, com 17 anos eu já havia saído de casa para morar em outra cidade, estudar engenharia civil em uma UNESP da vida, uma das universidades mais conceituadas do país. Com 22 anos de idade eu estava formado, com um diploma de engenharia da UNESP, inglês avançado, carregado de vontade de continuar esse caminho. Durou 1 ano só, e hoje a mais de ano desempregado me pergunto o que fazer. A falta de experiência não ajuda, a crise não ajuda. Parece que continuar a estudar não tem ajudado. São só portas fechadas, as empresas não se dão ao trabalho sequer de responder que você não passou no processo. Tem profissional trabalhando por menos da metade do piso! O CREA não toma partido em nada e continua cobrando a anuidade no fim do ano sem desconto nenhum para quem nem empregado está. O que restou afinal para nós?

Eu tenho uma coleção de cubos mágicos na minha estante. Eu sempre gosto de usar eles para dizer o quanto gosto de resolver enigmas. Não é só um dom, é uma paixão! E eu só queria poder ser ouvido, queria que ao menos uma empresa, uma única pessoa que fosse, me desse uma única oportunidade, por que sinceramente, eu não preciso mais do que isso!

E tem sido difícil...

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Deixe o amor agir





Pegue a mão de quem você ama e aperte bem forte! Ande de mãos dadas sempre que possível, diga que você a ama! Fale quantas vezes forem necessárias, todos os dias, deixe claro o quanto ela é importante! Sorria, demonstre, doe um pedaço de si! Faça ela te desejar, faça ela sorrir, gargalhar, lembrar do por que ela sente saudades de você todas as noites antes de dormir. Seja diferente, cause boas impressões, diga o que ninguém diz! Deixe o amor viver, deixe o sentimento sair. Torne especial sempre que puder, a vida é curta, a gente só vive uma vez, não perca a oportunidade de ter pessoas maravilhosas na sua vida, não deixe o amor morrer, não colecione decepções. Seja luz, sol e calmaria nos braços de alguém, ninguém precisa saber poesia para escrever, anote nos guardanapos, mostre que você usa seu tempo pensando nela. O amor tem que ser vivido!

Se tudo desabar segure-se em toda felicidade que encontrar, busque tudo que você construiu, lembre-se um a um as noites que você passou abraçando uma vida que não só a sua. Tire o peso dos ombros de lutar sozinho, acredite, busque, trace uma rota e atravesse o vale das sombras ao lado de quem você ama. O amor é para isso, para ajudar a suportar, para dar forças, para entender, compreender e aceitar o outro. Lembre-se que você é humano, acredite que as coisas vêm por um motivo e partem por tantos outros, são fases, momentos, segmentos da trajetória. Se deixe mudar, evolua, cresça, mas não perca o amor, não perca a capacidade de sentir por quem te quer bem.

Ache seu porto seguro e ancore seu coração. Seja sol em dias de chuva, seja água nos dias quentes e cultive amor nas adversidades. Amar é uma dádiva, ser amado também! Dê carinho, doe abraços, aperte bem forte, faça massagem, dê risadas, faça planos, viaje, dance, ria, escreva, assista filmes debaixo das cobertas, vá ao cinema, durma de conchinha e acorde sorrindo, beije, dê bom dia e continue dizendo que ama! Quando o caos chegar ele vai embora rapidinho, por que a gente não esquece fácil do que nos faz bem de verdade!

Não deixe escapar pelos dedos, não deixe a vida te assustar, não deixem que lhe digam que não vale a pena acreditar no sonho que se tem! Segure a cara da pessoa e diga pausadamente o quão disposto você está de cruzar o mundo por ela, de cruzar a vida ao lado dela. Seja uma pessoa honesta, sincera, diga a verdade! Diga o que sente, não durma com raiva, conserte as coisas. O amor é lindo, se permita viver, se entregue de alma, ache quem te mereça, quem te valorize, quem te queira sorrindo, quem te transborde, quem te ache inteligente, interessante e faça sua parte! Garanto que a vida se tornará mais leve, quando temos quem nos suporta, quem nos amortece, quem nos dá a mão e quem nos põe para cima, tudo fica mais fácil, a gente brilha, se sente maravilhoso. Encontre tudo isso em algum lugar e por favor, não perca, porra!