sexta-feira, 27 de junho de 2014

Palavras são erros e os erros são MEUS


Faz um tempo que venho escrevendo de caneta no meu caderno. Na minha vida também. É porque hoje me parece que o que me faltava era aceitar a certeza da incerteza ou ao contrário! Com isso, eu buscava a solidez de uma forma que as situações líquidas não saciavam a minha sede e eu sofria com os lábios secos por não saber experimentar e viver o que os líquidos escorriam sobre mim... Talvez a insatisfação direcionada por mim a estes líquidos ainda escorra pelo meu rosto, mas hoje solidifico o seu caráter metamorfósico  na minha alma. Hoje escrevo de caneta porque aceito os meus defeitos e meus erros (ou tento assim fazer), escrevo de caneta para aceitar as minhas palavras erradas e letras trocadas, assim fica mais fácil de aceitar quando passo por cima dos meus estados e evaporo, desaparecendo. Escrevo de caneta no papel para deixar registradas as minhas vontades e demandas e para entender quando os papeis referentes à minha vida são trocados tornando, assim, as letras irreconhecíveis.

Não quero o medo do lápis, não quero sua fuga e barulho, não quero apagar quem eu fui ontem ou quem, eu hoje, desejo ser amanhã. Escrevo de caneta porque meus erros e arrependimentos ficam em evidência e mesmo que eu passe corretivo por cima ainda existirá o volume em branco que se destoa do restante da folha do meu caderno, do restante da minha vida. Os lápis deixam vazios mal resolvidos, canetas deixam cicatrizes, prefiro a lembrança da minha falha ao falhar continuamente por ter apagado as minhas fraquezas, por ter apagado quem fui, por ter tentado me apagar e me reescrever sem respeitar as minhas próprias pautas.

Escrevo de caneta porque aprendi que mais importante do que não errar é acertar no respeito direcionado a mim, é aceitar a imagem que me olha no espelho. É, simplesmente, com tudo que o verbo SER carrega consigo.

Amanda Cavalcanti

terça-feira, 24 de junho de 2014

Dias de chuva e aqueles pensamentos desconexos.


Então é isso, acredito que seja uma coisa típica dessas tardes chuvosas, não é a primeira e não será a última vez, com toda certeza. É sempre estranha essa sensação gerada no fim, uma incompletude, acredito que falta uma compressão para que eu possa dissipar esse sentimento, por que ao mesmo tempo em que eu estou rodeado de pessoas, meu vazio é tão estranho e tão cheio de contrapontos. Mas essa é minha eterna sensação dos dias chuvosos. É difícil para mim ter que fazer minhas malas, sabendo que sempre estarei sozinho, sabendo que no fim de tudo nós sempre somos sozinhos. Saber disso é um conforto gerado de uma dor, é uma experiência gerada de uma inibição, por isso é difícil, lidar com a verdade é difícil depois de saber que você me amava verdadeiramente.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Conto de Fadas




        Engraçado os tropeços que a gente toma nessa vida, nossa auto avaliação depois de cada queda, e principalmente nossa incapacidade de aceitar como mais uma vez pudemos ser passados para trás da mesma forma. Como as pessoas são individualistas, egoístas, como elas conseguem tirar a nossa paz mesmo nos nossos momentos de maior felicidade com nós mesmos.

        Pra quem como eu tem esse problema, de entregar a confiança de bandeja pras pessoas, sabe como é a dor de ser traído por alguém que você julga que jamais te daria as costas. Como machuca se entregar, se dividir e se doar a outro alguém, compartilhar sua vida, seus segredos, seus maiores dilemas interiores que fazem parte da sua índole, de quem você realmente é, para depois isso tudo ser usado contra você.

      A traição é sem dúvida, em qualquer das suas escalas, uma falta de caráter e respeito de quem a pratica, um egoísmo de auto nível de quem não tem coragem de assumir seus atos, de quem foge e dá as costas aos outros, pisando, machucando e atropelando quem for por puro vazio de personalidade. Não sei para onde o mundo leva essas pessoas, mas é de uma amargura sem fim que fica, e a gente pensa em vingança, se enche de ódio, se explode de uma raiva sem fim.

      Mas sempre para não se rebaixar a gente releva, a gente esquece, a gente deixa impune aqueles que deixam aquela marca amarga nas nossas vidas. E mais uma vez voltamos a acreditar, a limpar nosso coração e se doar, e se entregar, e acreditar que mesmo depois dá décima vez ainda iremos encontrar alguém que seja honesto com aquilo que a gente dá de coração, nosso tempo, nosso amor.

      O conto de fadas parece infindável nessa narrativa a la Disney que a gente às vezes insiste em escrever no nosso peito com as lágrimas de todos aqueles que já se foram e deixaram aqui um pedaço desse enorme e constrangedor inferno particular.


***Curta aqui embaixo, muito obrigado..


quarta-feira, 4 de junho de 2014

Do nosso amor a gente é quem sabe...

Fonte da imagem: Fanpage da ilustradora Mônica Crema

Amor é raiz, sabe?
É árvore antiga
Rugas. Linhas de expressão
Amor é morada fixa
É caça palavras marcado
É mapa da cidade desconhecida traçado

Amor é fotografia que congela a paz e a agonia
É navio em maré mansa
Laço amarrado no dedo que evoca lembrança
É bonança. Âncora.

Amor é pão de queijo que acaba de sair do forno
É raiva que acaba em gozo
É certeza. Dúvida
Birra. Tudo

Não se ama as qualidades
Muito menos os defeitos
Nem o gosto do beijo
Não se ama a paz
Nem o medo ou desespero
 O que se ama, meu amigo, é o ser humano
Por inteiro!

terça-feira, 3 de junho de 2014

Ei moça, olha aqui!

               

Trilha sonora: 
https://www.youtube.com/watch?v=dwWmVLKdHPE


               Sento aqui de novo encarando um rosto tão desconhecido, me perguntando quantas vezes vou fazer isso comigo mesmo. Olho seus olhos tão cheios de uma dor passada, consigo enxergar uma imensa porta fechada, aonde alguém saiu e a bateu com força antes de ir embora. Sinto que seja nada mais que medo abri-la novamente, e me concentro no seu sorriso tão bonito e de um brilho que engana todos que passam por você e acham que a felicidade que vêem faz parte integral do seu coração, talvez eles não saibam realmente, mas por dentro você chora a dor de um milhão de lágrimas, que escorrem silenciosamente pelo seu sorriso à luz do sol em gargalhadas de alegria que são na verdade desespero.
                Te daria um abraço se você permitisse, talvez a dor não permita comoções, cada qual com seu luto. Eu aqui distante partilho da sua história como se já tivesse a vivido milhões de vezes. Eu te daria um abraço se eu não tivesse medo. Acho que é muito fácil se perder em algumas pessoas, saber que partilham de uma mesma energia que nos liga sem ao menos nos conhecermos.

                Eu sempre me perco nessa coisa de querer ajudar os outros, aquela velha história de se entregar demais, se envolver demais. Se tu soubesses que hoje eu acordei com uma vontade enorme de te roubar o que você diria? Sabe lá se você entenderia, a gente mal se conhece direito, mas algo me diz que existe da mais bela essência dentro desse teu olhar. É tudo tão complicado às vezes, são tantos nós que ligam as pessoas e os problemas que eu crio mil teorias pessimistas ao redor de mim. No fundo só queria dizer que você é uma pessoa legal, e se eu fosse homem o suficiente depois de todo esse caos recente, eu lhe convidaria para ir ao cinema. Anda tão frio, não merecemos ficar sozinhos, ninguém merece.

****GOSTOU? curte aqui embaixo por favor. Obg.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Eu te amo calado como quem ouve uma sinfonia...


Eu estava aqui lavando os pratos e pensando na vida, teorias sobre o amor entre casais que planejam passar a vida juntos (teorias essas sempre tão presente na minha mente) vieram me visitar! Faz um tempo que entendi que sofrimento e amor não andam de mãos dadas, pra mim, ao menos, essas duas coisas não fazem sentido quando interligadas! Quando falo sofrimento não me refiro a brigas, lutas por mudanças e adaptações, não me refiro a algumas lágrimas que podem transbordar quando alguma expectativa foi frustrada ou sei lá, claro que sei que momentos difíceis em qualquer relação é absolutamente normal. Falo daquele sofrimento patológico onde reside incertezas e falta de respeito, onde o 'amor' é visto e transmitido apenas como um joguinho de sedução e posse, sabe? Aquele tipo de relacionamento que a gente não acha bonito ou saudável, que os integrantes passam mais tempo atualizando o status do facebook entre 'solteiro' e 'em um relacionamento sério' do que juntos!

Também não estou dizendo que em relacionamentos assim não exista amor, pode ser que tenha, mas eu acredito que para duas pessoas darem certo precisam estar dispostas, precisam de sintonia e, além de tudo, precisam querer chegar ao mesmo lugar, mesmo que caminhos diferentes sejam utilizados nesse percurso. Ai entra o velho clichê nos dizendo que amar não é suficiente para estar junto. Não é! Nunca foi! Nunca será! Às vezes só não é o tempo certo! Acredito que a gente precisa saber a hora certa de ir embora da vida da outra pessoa e deixar que ela vá também, precisamos preferir qualidade de vida e parar de gostar de sofrer, porque sinceramente, tem gente que sabe que algo nunca vai dar certo, mas continua ali morrendo aos poucos, tendo e partindo corações em milhões de pedaços (sim eu sei que há motivo e motivos, mas o objetivo do texto não é aborda-los).

Também pensei naqueles amores de quando tínhamos 15 anos e até ~ hoje ~ sofremos pelo término, espalhando pelo mundo que perdemos o "amor da nossa vida". Sério isso? Isso não faz sentido algum minha gente. Não faz sentido porque você mudou, a outra pessoa mudou, o mundo mudou, essa pessoa que você jura amor eterno pode nem existir mais. É, às vezes parece que amamos mais as lembranças do que os produtores delas em si! Isso é engraçado. Por favor não sofram por acontecimentos de quando você estava na puberdade, isso é deprimente para mim e não faz sentido algum! A gente se prende a cada bobagem, parece até que o sentimento de perda e sofrimento excessivo são necessários para nos sentirmos vivos. Isso sim é triste!

Eu lavei tantos pratos escutando Los Hermanos que deu tempo de pensar também na importância exclusiva que damos a esses relacionamentos e amores, frases como "você é o homem da minha vida" e "eu não existo sem você" deixaram de fazer sentido pra mim faz tempo também! Tem uma galera que fala isso em todos os relacionamentos, será que é mentira essa afirmação? Não, não é mentira. A verdade está exatamente ai! Todo mundo (ou a parte importante dele) que passa pela nossa vida nos preenche com algo, nos ensina algo, nos motiva pra algo; é como se todos tivessem seu momento e estadia 'pessoa da minha vida' na nossa vida, deu pra entender ou ficou muito confuso? Sendo assim, é praticamente impossível uma única pessoa ser o homem ou mulher da nossa vida! 

"Eu não existo sem você", já tentou viver sem oxigênio? Sem comida, aguá, motivação? O amor tem tantas ramificações e feições, tem tantas casas e caras, pode ser encontrado até no baobá ali do Carmo, chega a ser um insulto ao amor trazido pelo vento tornar uma única pessoa (que às vezes está na sua vida num faz nem um ano) a única fonte da sua existência! Tá, pode ser apenas palavras fofinhas, mas é tão mais interessante atitudes verdadeiras. Isso ajudaria bastante na veracidade da relação e do que se sente!

Às vezes o que nos falta é nos amar mais, sabe? Falta explorarmos nossos cômodos e esconderijos, falta-nos a felicidade da estar junto a nossa própria companhia e assim, numa atitude desesperadora, aceitamos qualquer morador no nosso coração. Quando não estamos com 'sorte' esse morador pode acabar com as sobras do nosso amor próprio e a gente começa uma guerra diária contra os nossos próprios sentimentos! É tudo muito complexo.

"Eu te amo calado
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncios e de luz
Nós somos medo e desejo
Somos feitos de silêncio e som
Tem certas coisas que eu não sei dizer..."
Lulu Santos

domingo, 1 de junho de 2014

Nem Foi Tempo Perdido


            Um dia todos nós vamos morrer.
            Um dia todos nós desapareceremos dessa existência. E me diga o que é que restará?
            Daqui a gente não leva nada, nem dinheiro, nem troféus, nem nada que se possa intitular ou comprar. Então, o que é que sobra afinal?
            Deixamos apenas a nossa marca por aqui... Quando eu não habitar mais esse plano o que vai ficar de mim serão as boas ações que pude fazer, serão as cartas que escrevi, as pessoas que amei, os sonhos que compartilhei, as palavras que joguei ao vento e viraram história nos ouvidos alheios, os inimigos que eu fiz, as palavras rudes e desnecessárias que saíram da minha revolta, o meu amor por aqueles que me deram motivos para viver, a minha história gravada nos textos que escrevo, nas músicas que eu cantei e na boca de cada um que viveu e conheceu um pedaço de quem eu sou.
            Há quem um dia preencheu sua vida de maneira tão singular e intensa que hoje ao ver essa mesma pessoa tão longe e vazia de significados no atual presente nos deixa um amargo pesar na alma.
            Eu gosto de ficar, até mesmo quando eu tenho que ir embora eu gosto de ficar. Não importa o que aconteça, me leve com você. Eu sou do tipo que escreve cartas, que frisa centenas de vezes detalhes olhando no fundo dos olhos. Eu gosto de deixar a minha boa impressão nas pessoas, mesmo naquelas que um dia eu magoei, elas terão algum lugar para confessar que eu já deixei algo bonito de mim marcado nas suas vidas, que hoje vibram em outros timbres longe da frequência da minha.
            E de você? O que eu vou levar? Daqui um tempo quando nossos caminhos se separarem, quando não trocarmos mais conversas cotidianas, me diga o que eu vou ter de você. O que você me escreveu, que presentes me deu, que surpresas me fez, me diga aonde vou olhar quando quiser lembrar que você já habitou um pedaço importante do meu coração?
            É triste pensar em como as pessoas não demonstram, como sentem medo, como não enxergam que o futuro apagara tantas lembranças e recordações, e que restará apenas o cinismo. Eu queria guardar um pouco de amor seu aqui comigo, algumas cartas, umas noites quem sabe, talvez um presente, uma lembrancinha, um papel de bala. Mas tudo que sobrou foram meus presentes a você, que voltaram e criam poeira no topo do meu guarda roupa.
            Há tanto não te vejo, há tanto não te beijo. Ainda me pergunto se me lembro do seu perfume, que tão rápido deixou de habitar os meus lençóis naquela tarde de sexta feira. E eu aqui em outra sexta feira tão longe, me perco em risadas e entre amigos, olho pra tudo e me pego de novo madrugada a fora dirigindo na cidade deserta, os vidros molhadas de sereno e eu dentro do carro silencioso cruzo os semáforos vermelhos pensando comigo aonde é que nos perdemos exatamente. Uma madrugada tão fria e silenciosa que explode em ecos de pensamentos quando cruzo a esquina da sua casa, mais uma vez.
            Sábado à noite as pessoas esbarram em mim e pisam no meu tênis, mas eu sorrio de volta e sento num canto onde possa observar cada um ali. Debruço minha cabeça no ombro de alguma menina bonita e conto quantos sorrisos passam por mim dignos de uma paixão tão sensual e pura como a minha por você. No meu dicionário eu ainda não conhecia amor sem rosas, carinho sem afeto e boa noite sem beijos sinceros.
            Quem no mundo não gostaria de um amor tranquilo, com promessas e juras de amor. Até mesmo você sonha com isso, tanto que não alcança a realidade do buraco em que caímos. A madrugada caiu de novo e eu me permiti me apaixonar pelos sorrisos que ali cruzavam meu olhar. Juro que cheguei a me encantar com um deles, tanto que me esqueci completamente de você naquela madrugada, me faz pensar que é só uma questão de tempo para eu voltar ao inicio do texto e lembrar que se um dia você me amou, mesmo que de forma ínfima, você se esqueceu de demonstrar com mais afinco e coração aberto. Dê uma olhada na nossa história escrita pelos cantos do seu quarto aonde você guarda tudo aquilo que eu te dei, e saiba que daqui um tempo você ainda terá tudo de um amor que ficou perdido, enquanto eu me contentarei com o esforço de tentar recordar de todos os momentos bonitos que tivemos em meio a tanto caos... Mas mesmo antes da madrugada acabar, e eu deixar aquele sorriso novo e bonito para trás, eu volto pra casa desejando você mais do que tudo nesse mundo.
            Não posso mais te dar a parte mais bonita de mim, você já a tem e não parece merecer tudo isso. Eu ainda espero que você entenda o que você está jogando janela afora com argumentos e prisões pessoais de fundações tão rasas. Espero que não seja tarde, espero que não se arrependa, espero que não viva uma vida inteira se lastimando por não ter tomado a decisão que seu coração gritava dentro de você... Vou fechar aqui esse décimo sexto texto falando sobre você, por que já sinto que desperdiço amor dando ele a quem não me dá nada em troca. Tudo acaba tão vazio. Espero que se um dia voltar a escrever sobre você seja pra dizer como você me faz feliz, mas tudo depende de você e da sua incansável busca por respostas. Até lá eu vou viver minha vida e apostar talvez em outros sorrisos, buscando alguém que realmente mereça minhas cartas, meus textos, meu tempo, meu amor. E só o tempo pode tirar o seu posto do meu coração.

            Independente de quem eu vá amar amanhã, fazendo loucuras com poesias e rosas, eu espero que seja breve. Por que aqui dentro habita uma angustia infindável de encontrar afinal alguém que desminta que o mundo está cheio de pessoas vazias e incapazes de amar um louco, instável, cheio de defeitos e sentimental apaixonado como eu.

****CURTA aqui embaixo se gostou. Obrigado.