Desceu
a rua mais rápido que um foguete no céu de ano novo. As pessoas se viravam para
ver, mas ele já havia passado, apenas com suas pernas corria desesperadamente
por entre as pessoas na calçada. Esbarrava em tudo e todos e sem se importar
continuou, suspirando e transpirando o cansaço naquele dia ensolarado de
domingo.
A
ruiva estava andando calmamente e cabisbaixa, e sem notar o movimento seguia
tranquilamente. Até que alguém a puxou pelo braço, fazendo com que ela virasse
bruscamente para trás. Ela olhou no fundo daqueles olhos azuis e abaixou a
cabeça. O suor dele pingava na calçada proporcionalmente as lágrimas dela. E
ele então com a mão no seu queixo trouxe o olhar dela de volta ao dele enquanto
o sol evaporava a água no chão.
“Me
desculpa” foram as palavras dele, e ela sem reação ficou ali em silêncio. Algo
dentro dela criava aquelas infindáveis lágrimas que rolavam sobre as sardinhas
do seu rosto. Ele se aproximou dela e a beijou. Foi um beijo terno, de amor e
doces memórias. Eles voltaram o olhar para o do outro e pareciam mais
calmos, a respiração diminuía e assim ele pode dizer algumas palavras.
Ela
olhava para ele e ouvia o vento bater suavemente no seu rosto, as palavras não
tinham mais valor. Ela sabia que era a maior arma dele, e agora aquilo não
tinha mais efeito. Ela suspirou e interrompeu sua fala com o dedo levemente
encostado na boca dele. E ia dizendo “Eu te entendo”, mas com os pés no chão e
o rosto já seco ao sol ela estufou o peito e pensou umas cinco vezes antes de
dizer. “Acabou meu amor”
O
sol queimava os grandes olhos azuis dele que misturavam com o azul do céu do
horizonte, para onde ele olhava agora fixamente, vendo com toda a calma do mundo
aqueles longos cabelos cor de fogo sumindo gradativamente do plano da rua, da
visão dos seus olhos, da sua tão frágil vida mal vivida.
*****gostou? CURTA aqui embaixo. Muito obrigado.

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